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Banco do Nordeste e a queima da caatinga

Sempre será salutar lembrar a beleza da caatinga, branca de dar gosto sob a luz do sol. Bioma rico e peculiar, singular no mundo, patrimônio nacional, vem de caa (mata) e tinga (branca), termos de origem indígena. Considere o leitor caa e tinga grafados em itálico (a publicação final no site provavelmente não sairá em itálico, como soe acontecer).
Pois não é que padarias, olarias e carvoarias estão destruindo a nossa caatinga?! E botemos ponto de exclamação e de admiração nisso. De admiração também chamávamos o sinal gráfico na velha Bahia, anos longe. Não carece odiar e discriminar aqueles que produzem pão, blocos de cerâmica e carvão. Precisamos comer, construir e gerar energia. Padeiros, oleiros e carvoeiros são parte importante – são verdadeiros parceiros – da economia. É indiscutível que precisamos crescer para desenvolver. Crescemos com a economia e devemos fazê-lo o mais racionalmente possível. Devemos assim crescer.
De fato, eles queimam madeira nos seus fornos. Queimam a nossa caatinga! A lenha é impiedosamente arrancada da caatinga, cartão postal do Nordeste – que amamos -, palco de atuação de um dos mais competentes guerrilheiros que o mundo já viu, Lampião, tornado caolho para maior precisão do tiro. E a caatinga vai desaparecendo.
Mas os nossos citados parceiros precisam produzir. Nasceram para isso. É o que sabem fazer. De novo, precisam produzir pão, tijolos e carvão. Queremos dizer com isto que é necessário sacrificar a agora sacrossanta nossa caatinga? De jeito nenhum! Isto seria anátema, diria o judeu. O que fazer, então, perguntaria o nosso a essa altura conduzido e ligado leitor?
Apelar para o Banco do Nordeste, poderia ser a resposta. O banco, se realmente é do Nordeste e para o Nordeste, poderia abrir uma linha de crédito para financiar fornos alimentados com energia elétrica. Em tempo, a presidente Dilma Rousseff baixou o preço da tarifa da energia. Ela se gaba disto, e disto tem razão. Então, podemos facilmente concluir, ficou mais fácil convencer aqueles a trocar os seus fornos de lenha por fornos elétricos. Está dito que o banco poderia abrir uma linha de crédito. Os senhores legisladores têm a oportunidade – e o dever – de trocar o termo para deveria. Deveria no lugar de poderia. Os nossos amigos ficariam obrigados a instalar fornos elétricos para as suas atividades.
Um prazo para adaptação seria necessário, um tempo para assimilação fornecido e um longo prazo para pagamento do financiamento concedido, se necessário de forma subsidiada. O mais importante é a preservação da caatinga.
Se coisas desse tipo forem debatidas, se soluções forem buscadas, formas de viabilização pesquisadas, mais tarde provavelmente não estaremos chorando a extinção da caatinga, sua flora e sua fauna, como agora choramos, em Paulo Afonso, a demolição das instalações do antigo restaurante da CHESF.
Por Francisco Nery Júnior